Audiência debate hoje retomada da dragagem - 2/9/2004
A unidade de Cubatão do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) realiza hoje, às 17 horas, audiência pública sobre o projeto de dragagem do Canal de Piaçaguera. O evento, que vai acontecer no Bloco Cultural da Prefeitura de Cubatão (ao lado do Paço Municipal), tem o objetivo de apresentar a mais recente versão do plano desenvolvido para o serviço, orçado em R$ 62,5 milhões e considerado, pelos empresários locais, como ‘‘essencial para a expansão e, principalmente, para a manutenção do pólo industrial’’.
A audiência é uma das exigências do Ibama e do Conselho Estadual de Meio Ambiente (da Secretaria Estadual de Meio Ambiente) para liberar a retirada dos sedimentos naturalmente depositados no canal. Se for aprovada pelas autoridades, esta será a primeira dragagem com controle ambiental do Brasil, ou seja, com o gerenciamento de seu passivo ambiental (monitoramento da disposição do material retirado).
Com 5,1 quilômetros de comprimento e uma largura média de 100 metros, o Canal de Piaçaguera liga o Estuário de Santos (na região da Alemoa) até os terminais marítimos da Cosipa e da Fosfértil, que movimentam cargas próprias e das outras indústrias de Cubatão. Devido à presença de poluentes químicos, especialmente o Benzopireno, em seu leito, a dragagem da via marítima foi suspensa há oito anos.
Nesse período, o canal teve uma perda de profundidade de até dois metros em alguns trechos. Originalmente com 12 metros, o calado médio foi reduzido para 10,3 metros. Com a diminuição, as embarcações foram obrigadas a navegar pelo local sem sua carga máxima (pois poderiam ficar encalhadas). Devido a essa medida, um volume que poderia ser transportado em apenas um navio passou a necessitar de dois, o que encareceu o preço final da carga.
Segundo um dos coordenadores do projeto de dragagem, o superintendente de Meio Ambiente, Medicina e Segurança da Cosipa, Benito Gonzalez, ‘‘essa dragagem, mais do que assegurar a expansão (das indústrias de Cubatão), é importante para a manutenção do pólo, onde estão os únicos fabricantes no Brasil de aço naval (Cosipa) e gasolina de aviação (Refinaria Presidente Bernardes, da Petrobras)’’.
De acordo com Gonzalez, caso as autoridades aprovem o projeto, os trabalhos podem começar em cerca de 40 dias (meados de outubro).
Fonte: A Tribuna-Santos