Brasil quer discutir o crescimento das exportações argentinas de vinho barato - 25/8/2004
O Brasil está preocupado com o aumento das exportações argentinas de vinho e colocou o tema entre os assuntos discutidos pela comissão de monitoramento do comércio bilateral.
Segundo o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes, que veio à capital argentina para participar da reunião da comissão, o problema é o ingresso de vinhos de baixa qualidade, vendidos nos supermercados brasileiros por entre R$ 3 e R$ 4 a garrafa.
"Nós fizemos um levantamento no mercado e verificamos que há vinho muito barato e de baixa qualidade", disse Fortes. De acordo com ele, a projeção para este ano indica que as exportações de vinho argentino ao Brasil devem quase triplicar os volumes vendidos no ano passado, e a maior parte do crescimento ocorre por causa do ingresso de vinho barato. Segundo Fortes, em 2003, o Brasil importou 5,720 milhões de litros de vinho argentino, e neste ano o volume deve passar de 15 milhões de litros.
Fortes disse também que não vê problemas com o crescimento das vendas de vinho argentino "de qualidade", mas que é preciso monitorar o ingresso dos produtos de gama inferior. Ele afirmou que será feito um levantamento para verificar a procedência, preço e características dos vinhos argentinos vendidos no Brasil, e a partir daí poderão ou não ser tomadas medidas para limitar o ingresso do produto. "A gente primeiro faz os estudos, depois pensa em medidas."
O secretário-executivo do Mdic disse que o procedimento no caso do vinho será o mesmo que o adotado em relação a outros produtos em que há conflitos comerciais, com um levantamento detalhado do comércio bilateral. Casos anteriores, como têxteis e eletrodomésticos -em que o empresariado argentino reclamava de uma "invasão" de produtos brasileiros -, terminaram com a adoção pela Argentina de medidas unilaterais para restringir o comércio. Em alguns casos, as medidas foram suspensas depois de os setores privados chegarem a acordos para limitar as exportações brasileiras.
Fonte: Valor Econômico