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Governo é culpado por gargalo logístico - 24/8/2004

Oito representantes dos principais elos da cadeia logística de exportação, reunidos na mesa redonda que encerrou o Fórum Transnacional, em São Paulo, concluíram que o Governo Federal é o maior culpado do gargalo logístico que emperra a exportação brasileira.

Para o único representante do Governo Federal no encontro, Sérgio Bacci, secretário de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes, o governo do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva (PT) não pode ser responsabilizado porque recebeu uma herança do governo anterior.

Além disso, o secretário afirmou que vêm sendo feitos investimentos para tentar resolver o problema. A primeira providência foi o envio de técnicos para os principais portos a fim de detectar os problemas. ‘‘Cinco portos já foram visitados e deveremos realizar obras emergenciais até o final deste ano’’, prometeu.

Bacci disse também que o Governo começou a recuperar rodovias (7 mil quilômetros neste ano e 25 mil em 2005). Estuda ainda a recuperação da malha ferroviária e trabalha para que a Marinha Mercante volte a ter impulso. Na opinião dele, é preciso criar garantias também para se construir mais navios.

Emergência

Entre as sugestões emergenciais apresentadas, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de Regimes Aduaneiros, Eduardo Cruz, propôs uma intensificação de uso dos portos secos acoplados aos portos molhados para desafogá-los.

Ele disse que o Porto de Santos, por exemplo, possui 734 mil metros quadrados de área para carga e descarga. Em contrapartida, os portos secos de São Paulo, juntos, somam 1,95 milhão de metros quadrados de área. ‘‘É um espaço importante que está sendo sub-utilizado atualmente e sem motivo’’.

O armador Pedro Henrique Garcia de Jesus, presidente do Centro Nacional de Naveção Transatlântica, defendeu a criação de um fundo de garantia para os estaleiros construírem navios. ‘‘A construção de um navio custa US$ 60 milhões, mas um financiamento desse valor não é fácil’’.

Garcia de Jesus lamentou que Lula tenha vetado a emenda à Medida Provisória que criava um Fundo de Garantia para a construção de navios e disse que isto comprometeu as exportações porque os estaleiros atuais estão com encomendas fechadas até 2007. Para ele, a medida do Governo Federal empurrou os construtores de navios para a China, que é o mercado que mais consome hoje navios e contêineres porque exporta demais e tem dinheiro para pagar.

Situação geral

Problemas físicos

Faltam contêineres, navios, espaço para armazenagem, área de estacionamento para veículos de carga e descarga, área de atracação, terminais específicos por tipo de carga, rodovias e malha ferroviária
Logísticos
As áreas portuárias estão desorganizadas (há contêineres junto com grãos, por exemplo), o serviço nos portos não funciona 24 horas por dia, a Receita Federal emperra a liberação de cargas e segura contêineres com cargas apreendidas, faltam inspetores de fiscalização

Políticas

Falta investimento, política de exportação e agilidade nas ações do Governo. Dirigentes sindicais controlam a definição de equipes que vão trabalhar nos portos
Propostas
Reduzir exigências no processo alfandegário
Criar áreas de estacionamento de veículos de cargas
Utilizar portos secos para exportação
Dotação de garantias para estaleiros construírem mais navios
Realizar mutirão na Receita para a liberação mais rápida
Construção de perimetrais e túnel de ligação no Porto de Santos
Construção de depósito de contêineres em São Paulo.



Fonte: A Tribuna-Santos
 


 

 

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