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Cetesb não permite operação com farelo na Ponta da Praia - 24/8/2004

Mais de dois meses após enviar uma proposta à Cetesb a fim de voltar a movimentar farelo de laranja (pellets cítricos) no Armazém XL (40 externo, na Ponta da Praia, no Porto de Santos), a Citrosuco, ainda não conseguiu o aval do órgão ambiental. Segundo o gerente da Cetesb, Marcos Antônio Veiga de Campos, a autorização, solicitada no início de junho, depende de a empresa realizar modificações nas suas instalações.

No final de fevereiro, cerca de 30 mil toneladas do produto entraram em combustão espontânea, o que acentuou o odor dos pellets originalmente intrínseco à carga, gerando reclamações dos moradores do entorno.

Reação

Como resposta, a Cetesb proibiu a movimentação dessa carga no armazém. Por isso, segundo o órgão, atualmente a exportação do farelo é feita pela margem esquerda do estuário, em Guarujá.

A própria empresa sugeriu mudar o sistema de transporte do farelo de laranja até seu armazém. Pelo projeto apresentado à Cetesb na ocasião, a Citrosuco construiria um entreposto onde o caminhão permaneceria com a carga até o momento de descarregar.

Nessa instalação é que a qualidade da carga seria verificada. Antes, esse procedimento era realizado ao ar livre. Mas a Cetesb ficou de analisar o projeto executivo, pedindo mais alterações. De acordo com o gerente Campos, algumas propostas do órgão foram enviadas à Citrosuco no dia 7 de julho. Mas até agora não houve respostas.

‘‘A Citrosuco apresentou uma série de medidas. Nós avaliamos e exigimos algo mais. Até agora a empresa não se manifestou. Quero crer que eles estão avaliando se vale a pena continuar operando do lado de lá (Guarujá)’’, considerou Campos.

Mudanças

Entre as exigências da Cetesb para reativar a exportação dos pellets pelo Armazém XL estão as seguintes: movimentação apenas no período das 8 às 20 horas; não utilização da plataforma número 3, próxima ao muro da Avenida Portuária; e maximização da extração de d’limoneno (óleo que tem nas frutas cítricas e que pode aumentar o cheiro dos pellets). ‘‘É uma forma de diminuir o cheiro do produto. Se a gente pudesse extrair, não precisaria das outras medidas’’, adiantou Campos.

Além desses procedimentos, a Cetesb pediu também ‘‘modernização nos sitremas de recepção, transporte e embarque da carga’’. O órgão não apresentou um modelo, mas diz que uma vez que a Citrosuco o apresentar, ele será submetido à análise. ‘‘O parâmetro (para aceitação) será o olfato (da população)’’

A proposta da Cetesb pede também que a Citrosuco defina a menor quantidade possível do farelo, mas economicamente viável, para manter no Armazém XL. ‘‘Evidentemente que temos de negociar isso de forma a não minimizar o negócio deles, mas evitando a poluição’’.

Além de reiterar a necessidade de um entreposto, a Cetesb também exige a definição do local. Quer ainda que a Citrosuco crie uma logística que impeça a permanência de caminhões na Avenida Portuária. ‘‘Se eles quiserem operar com o ferelo de laranja, vai ter de ser assim’’.

E, finalmente, o órgão ambiental pretende submeter tudo isso à população, por meio de uma audiência pública. A Tribuna procurou a Citrosuco, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.



Fonte: A Tribuna-Santos
 


 

 

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