Porto de Natal não atende exigência para exportação - 24/8/2004
A pequena profundidade do calado no porto de Natal foi o principal motivo alegado para a escolha do porto de Suape, em Pernambuco, como via de saída do minério de ferro que as empresas MHAG Serviços e Mineração Ltda. e o Grupo Camargo Correia pretendem explorar em Jucurutu, município potiguar a 250 quilômetros da capital. Os investidores afirmam precisar de um calado (profundidade mínima para navios atracarem) de 15,5 metros. A direção do porto natalense não vê como atender essa exigência.
“Temos um calado de 11 metros e não poderíamos aumentá-lo muito, pois a profundidade na barra não ultrapassa os 12,5”, explicou o diretor técnico da Companhia Docas do RN (Codern), Hanna Safieh. Ele afirmou, na matéria publicada domingo pela TN, que o porto de Natal teria condições para realizar essa exportação, pois não tinha conhecimento desse requisito mínimo.
Segundo Safieh, no contato mantido com os diretores do consórcio, cerca de um ano atrás, as discussões giraram em torno da logística para o minério chegar a Natal. “Não lembro de terem determinado a necessidade desse calado de 15 metros. Se soubesse, teria logo avisado da impossibilidade”, revelou.
O presidente da MHAG, Geraldo Monteiro, afirmou ter todo interesse em exportar a partir de Natal, pois se tornaria mais barato o transporte. Porém condicionou isso ao atendimento da exigência dos 15,5 metros de calado, existente em Suape.
“Seria melhor exportarmos daí (Natal), mas na reunião que tivemos com o próprio Hanna, vimos que não haveria essa capacidade. Vamos receber navios de 100 mil toneladas que necessitam dessa profundidade”, disse.
Ele levantou também dúvidas quanto à possibilidade da Codern estocar as cerca de 300 mil toneladas mensais de minério previstas para serem exploradas no início das atividades. Quanto a essa capacidade, o diretor técnico da Codern afirmou: “Ele pode ficar tranqüilo que para isso poderíamos perfeitamente fazer as adaptações necessárias.”
Geraldo Monteiro afirmou ter sido cogitado até a possibilidade das empresas reativarem, por conta própria, a ferrovia entre Lajes-Natal, caso a exportação do minério pudesse acontecer pelo porto potiguar. “Estaremos enviando uma consulta hoje (ontem) a Natal, para que esclareçam se há condições de atender nossas necessidades e que condições são essas, já que o diretor afirmou isso na matéria publicada ontem (domingo).”
A expectativa do presidente é que o investimento em Jucurutu possa gerar cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos no município. Apesar de preferir não divulgar os valores já gastos em dois anos de pesquisa e a previsão para os próximos aportes de recursos, ele deu uma pista de que o montante é significativo: “O impacto social será grande. Mineração envolve muito dinheiro.”
Benefícios
Entre os benefícios para o município, Geraldo Monteiro previu a recuperação do hospital de Jucurutu e a instalação de uma mini-cidade dentro da zona urbana. “Estamos trabalhando com a expectativa de construir boa parte da estrutura dentro da cidade e não como algo isolado, isso vai gerar mais empregos na economia local”, avaliou.
O empresário considerou correta a atitude do governo do Estado com relação ao investimento. “Ainda não finalizamos os estudos e o governo está esperando essa confirmação”, defendeu. O término do levantamento está previsto para daqui a dois ou três meses, quando os resultados serão passados para o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Dentro de seis meses, Geraldo espera ter uma previsão concreta sobre o início dos trabalhos.
Fonte: Tribuna do Norte-RN