Sopesp aguarda resultado de mais ações - 20/8/2004
O coordenador da Câmara de Contêineres do Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp), Sérgio Aquino, informou que outras ações que visam permitir a contratação de mão-de-obra de fora do Ogmo em casos de greve devem ser concluídas em breve. ‘‘Outros terminais estão trabalhando na mesma linha’’. Ele não quis revelar as outras empresas que também entraram com ações na Justiça.
Aquino afirma que as ações dos quatro terminais foram motivadas devido aos problemas resultantes da operação padrão dos estivadores. ‘‘Os terminais estão buscando que o País não seja prejudicado’’. Ele comenta que o Sopesp tentou entrar em acordo com a estiva, mesmo antes dos julgamentos no TRT, e que a categoria é a única do porto que ainda não firmou acordo coletivo com o Sopesp. Hoje, às 16 horas, o pessoal do bloco oficiliza a convenção com o sindicato patronal. ‘‘Nunca deixamos de negociar com a estiva’’.
Para ele, ‘‘o trabalhador tem todo direito de se manifestar, mas não podem haver ações que impeçam as operações’’. ‘‘O porto é estratégico, não podem haver interrupções’’. O coordenador ressalta que mesmo diante da decisão do TRT de extinguir as equipes fixas de trabalho, o Sopesp está mantendo o número fixo de trabalhadores até que seja assinado acordo coletivo.
Na última proposta de acordo apresentada ao Sindicato dos Estivadores, na quinta-feira passada, estava prevista a redução dos ternos de trabalho. ‘‘Não queremos a livre requisição de trabalhadores, apresentamos uma proposta de redução, já que as equipes estão comprovadamente inchadas’’.
Aquino afirma que mesmo com a redução nas requisições, ‘‘aqueles estivadores que realmente dependem do porto para sobreviver terão garantia de trabalho’’. O presidente dos estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, afirma que não existem garantias de que os trabalhadores terão postos de trabalho suficientes e de que serão devidamente remunerados. O sindicato exige a implantação de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para discutir a redução dos postos.
O presidente da Rodrimar, Celso Grecco, comentou que a situação no terminal da empresa ficou ‘‘catastrófico’’ devido à operação padrão dos estivadores. Ele informou que 180 caminhões tiveram que ficar na fila de espera para descarregar. ‘‘Navios que levam 24 horas para operar levaram quase quatro dias’’. A ocupação no pátio de contêineres chegou a quase 100%, segundo ele. ‘‘A medida cautelar só será usada em casos extremos, esperamos não ter que utilizá-la’’.
O Sopesp divulgou nota à imprensa ontem em relação à contraproposta apresentada pelos estivadores. Para os operadores, o documento ‘‘não indica um desejo de negociação séria, porque só trata dos itens de seu interesse próprio, não se manifestando sobre os itens polêmicos, principalmente sobre a adequação das equipes de trabalho, reconhecidamente superdimensionadas’’.
Fonte: A Tribuna-Santos