Estivadores: sindicato apresenta hoje contraproposta às empresas - 19/8/2004
O Sindicato dos Estivadores de Santos vai apresentar hoje uma contraproposta ao Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) visando a assinatura de acordo coletivo relativo a cinco dissídios que estão tramitando na Justiça do Trabalho, de 2000 a 2004.
Os trabalhadores recusaram a proposta apresentada pela entidade patronal na quinta-feira passada e decidiram realizar operação padrão no porto de 72 horas. O movimento teve início às 7 horas de segunda-feira e vai terminar às 7 horas de hoje.
A operação dos estivadores atrasou o embarque e desembarque de mercadorias, principalmente de açúcar e contêineres. Na manhã de ontem, 21 navios estavam operando com lentidão e sete estavam parados. À tarde, eram 20 embaracações com a operação prejudicada e 10 paradas, segundo a Codesp.
Conforme o presidente dos estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, a categoria concorda com os 50% de reajuste nas taxas de produção (25% no momento da assinatura da convenção coletiva e o restante sete meses depois) e também com a concessão de vale-refeição de R$ 8,00 por dia de trabalho. Quanto ao salário-dia, a estiva reivindica aumento de R$ 17,00 para R$ 30,00, além de reajuste de R$ 24,00 para R$ 48,00 no salário de conexo (amarração da carga).
Os estivadores esperam que o sindicato patronal se manifeste até amanhã em relação à contraproposta para que o assunto seja discutido em assembléia marcada para sábado, às 9 horas.
Automação
O presidente do Sopesp, Carlos Eduardo Bueno Magano, informou que a entidade aceita negociar todos os itens do acordo coletivo, menos o que visa reduzir o número de trabalhadores por equipe, ‘‘em função do avançado processo de automação existente hoje nos terminais do porto’’.
Magano denuncia que a operação padrão vem impedindo as operações até mesmo nos terminais automatizados, onde há portêineres, que fazem o trabalho dos estivadores. ‘‘Isso não configura operação padrão, mas ações sabotadoras, de vandalismo’’. Conforme o presidente do sindicato, as outras entidades de portuários já firmaram acordo com o Sopesp, menos a estiva. ‘‘Isso é um exemplo da intransigência’’.
O presidente dos estivadores diz que o posicionamento do Sopesp é de ‘‘quem está querendo buscar a guerra’’. Segundo ele, os trabalhadores jamais danificariam equipamentos pois dependem deles para trabalhar. ‘‘Eles deveriam comunicar as ocorrências ao Ministério do Trabalho’’.
Para o sindicalista, os atrasos nas operações não ocorrem por culpa dos estivadores, mas devido à falta de condições de segurança, higiene e saúde no porto. ‘‘Não sou eu que está dizendo, mas a Norma Regulamentadora 29’’. Silva diz que concorda em discutir a redução no número de trabalhadores nas equipes, mas somente se o Sopesp implantar um Plano de Demissão Voluntária (PDV).
Fonte: A Tribuna-Santos