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Operação-padrão afeta 16 navios no Porto - 18/8/2004

Os estivadores do Porto de Santos entram hoje no terceiro dia de operação padrão. O movimento termina às 7 horas de amanhã e está atrasando o embarque e desembarque de mercadorias. Segundo a Companhia Docas do Estado do São Paulo (Codesp), dos 42 navios atracados ontem no cais, 16 foram afetados — a maioria com carga de açúcar —, sendo que um teve a operação paralisada devido à falta de trabalhadores.

O Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) está recomendando às empresas associadas que enviem com urgência as ocorrências decorrentes da paralisação. Os relatórios serão usados pela assessoria jurídica da entidade para fundamentar um processo de dissídio coletivo de greve junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP).

Os operadores também pretendem notificar o Sindicato dos Estivadores de Santos de que serão adotadas todas as medidas judiciais necessárias para proteger seus patrimônios e seus funcionários, reponsabilizando o sindicato por qualquer dano que o movimento puder causar.

O coordenador da Câmara de Contêineres do Sopesp, Sérgio Aquino, denuncia que os estivadores estão tentando impedir as operações também nos terminais automatizados, onde o trabalho depende de poucos trabalhadores. ‘‘O trabalho é feito principalmente pelo portainer, que é um sistema automatizado de engate’’. Segundo ele, a estratégia dos estivadores é jogar equipamentos sobre os contêineres, impedindo o descarregamento.

Aquino informa que os terminais estão notificando o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) para que os trabalhadores responsáveis sejam punidos. O vice-presidente da Libra Terminais e também vice-presidente do Sopesp, Mauro Salgado, comenta que dois navios teriam deixado de atracar no porto ontem devido à operação padrão. Segundo ele, o movimento dos trabalhadores está fazendo com que a movimentação caia de 40 a 50 contêineres por hora para de 10 a 15.

Leviandade

O presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, nega que os estivadores estejam impedindo as operações com o portainer. ‘‘Essa afirmação é leviana da parte deles’’. Ele informa que a categoria está apenas reivindicando melhores condições de segurança, saúde e higiene no cais, conforme prevê a Norma Regulamentadora 29.

Segundo Silva, a Subdelegacia Regional do Trabalho (DRT) deve emitir um relatório hoje sobre as condições de trabalho dos estivadores. Ele informou ainda que o Sopesp ainda não apresentou uma contraproposta para que os estivadores encerrem a operação padrão.

A categoria quer reajuste nas diárias, que são as mesmas há quase oito anos. E não concordam com a intenção dos operadores de ter livre requisição de estivadores, o que representaria o redução de cerca de 70% nos postos de trabalho para a categoria.

O sindicato exige a criação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para negociar a redução no número de estivadores no porto. Do contrário, não aceita qualquer proposta de reajuste. ‘‘Não adianta aumentar a diária, mas tirar o emprego dos estivadores’’.



Fonte: A Tribuna-Santos
 


 

 

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