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Perspectivas são boas para os calçados brasileiros - 18/8/2004

O mercado brasileiro de calçados quer crescer 15% em 2004 para finalmente romper a barreira estabelecida em 1993, quando as exportações atingiram US$ 1,9 bilhão. Segundo estatísticas da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), até maio deste ano as exportações ultrapassaram US$ 707 milhões, com a venda de quase cem milhões de pares de sapato. As empresas fecharam 2003 com um faturamento de US$ 1,5 bilhão e a comercialização de 188,6 milhões de pares de sapato.

"O resultado é bastante positivo. Ainda mais se considerarmos que as exportações vão, enfim, chegar ao patamar de 1993", justifica o vice-presidente da Abicalçados, Ricardo Wirth. São 11 anos operando em baixa. Wirth conta que as vendas para o mercado internacional foram fortemente atingidas pelo Plano Real, que supervalorizou a moeda nacional, pela concorrência com os produtos asiáticos - que penetram com mais intensidade nos Estados Unidos, o principal comprador dos sapatos brasileiros --, e pelos constantes aumentos da carga tributária.

A reforma tributária do governo Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, em nada contribuiu para aliviar os custos do setor. "Ao contrário. Só piorou. Não podemos sequer chamá-la de reforma", diz Wirth. Sem a supervalorização da moeda nacional e sem o aumento de carga tributária, o vice-presidente da Abicalçados acredita que o setor teria crescido, no mínimo, de 3% ao ano. E o faturamente em 2004 seria, pelo menos, 70% maior que o registrado em 1993.

Por conta da concorrência com os sapatos asiáticos, os brasileiros não conseguem crescer no mercado norte-americano. Wirth afirma que, diante da dificuldade, as empresas brasileiras driblaram a crise investindo numa modelagem própria adequada às exportações e, ao mesmo tempo, e apostando na comercialização dos produtos nacionais à pequenos importadores. Além de um novo fôlego, as empresas reduziram a dependência dos americanos e ficaram menos vulneráveis às turbulências internacionais.

Apesar das mudanças, a indústria brasileira de calçados ainda exporta cerca de 57% para os Estados Unidos. Entre os maiores importadores estão o Reino Unido, Argentina, México, Espanha, Canadá, Chile, Portugal, Alemanha e Holanda. Devido ao perfil do produto que consome, a Europa é um destino estratégico para as empresas brasileiras. Os sapatos exportados para a região são de elevado valor agregado, em razão das características da moda e do clima europeus.

No ano passado, os dez países da Europa que mais importaram o produto nacional geraram um faturamento de US$ 187,5 milhões. Compraram 18 milhões de pares de sapato. Desempenho que corresponde a 12% do faturamento e quase 10% do volume negociado pelos brasileiros no mercado internacional.

Segundo informações da Abicalçados, o Brasil tem um dos mais importantes clusters calçadista do mundo. São cerca de 7,2 mil empresas, que empregam 280 mil pessoas. O Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, é o maior cluster de calçados do mundo. Na região, concentram-se as instituições de ensino técnico e os centros de pesquisa e assistência tecnológica do Rio Grande do Sul. Detém em torno de 60% da indústria de componentes e 80% da indústria brasileira de máquinas para couros e calçados.

Pesquisa elaborada pelos Instituto Euvaldo Lodi (IEL), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que o forte deste pólo são os calçados femininos, que têm qualidade internacional e preços competitivos. Em Franca, no interior de São Paulo, está localizado o segundo principal pólo calçadista do país. No município são fabricados calçados masculinos, de alto padrão e preço elevado. Ainda segundo a pesquisa, o pólo de Nova Serrana, em Minas Gerais, fabrica tênis popular, barato e de qualidade questionável.



Fonte: Valor Econômico
 


 

 

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