Crescimento do mercado interno não afeta exportações, diz Furlan - 16/8/2004
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou hoje que o governo decidiu rever as suas projeções de exportações para 2004 por conta do forte crescimento das vendas externas verificado até o mês de agosto, mantido apesar da retomada do mercado interno. “Este desempenho nos leva a rever a meta, porque muito provavelmente ainda em agosto, considerando os últimos doze meses, devemos ultrapassar os US$ 88 bilhões”, afirmou Furlan. “Como não é nosso objetivo ter uma performance nos últimos quatro meses do ano inferior à do ano passado, decidimos mudar a meta para US$ 90 bilhões”.
Segundo o ministro Furlan, no começo do ano, muitos duvidavam que a economia brasileira conseguiria crescer 3,5% neste ano. Naquela época o Ministério colocou como projeção de crescimento, um número conservador, de US$ 80 bilhões, com base nas consultas feitas junto aos mais variados setores da economia. “O desempenho do primeiro semestre mostrou claramente um sinal de recuperação da economia brasileira e hoje já existem analistas que arriscam um número de crescimento do PIB que ultrapassa 5%”, explica o ministro. Este crescimento alavancou as importações, que até a primeira semana de agosto já registraram uma alta de 26%.
As exportações, diz Furlan, superaram até os mais otimistas, com crescimento de 37% até agora, por três motivos principais, listados pelo ministro:
- mudança cultural: “As empresas estão empenhadas em conquistar o mercado internacional, independentemente da temperatura do mercado interno e das variações cambias”.
- taxa de câmbio: “A taxa de câmbio tem se mantido relativamente estável, o que dá segurança para as empresas se planejarem no longo prazo”.
- crescimento dos preços das commodities no mercado internacional: “Só no caso da soja, praticamente em todo o primeiro semestre, tivemos um bônus temporário de mais de 50% nos preços”. No caso do aço, segundo Furlan, os preços continuam sustentados pela demanda chinesa e a expectativa é que esse “surto” de preços se sustente até meados de 2005.
Com a nova estimativa de US$ 90 bilhões, as exportações aproximam-se cada vez mais da expectativa inicial do ministro Furlan, anunciada nos primeiros meses de governo, de chegar aos US$ 100 bilhões até o final de 2006. A meta de saldo comercial para o ano também foi elevada de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões.
Em 2003, as exportações totalizaram US$ 73 bilhões, um crescimento de 21% em relação a 2002. Já as importações ficaram em US$ 48 bilhões, 2% superior aos números do ano anterior. O superávit registrado foi recorde: US$ 24,8 bilhões.
Fonte: MDIC