Porto poderá substituir sua matriz energética - 13/8/2004
O Porto de Santos precisará mudar de matriz energética para crescer. A substituição do abastecimento de eletricidade pelo gás natural vem sendo analisada na Diretoria Comercial e de Desenvolvimento da Codesp. A informação foi dada ontem pelo diretor da pasta, Fabrízio Pierdomênico.
De acordo com o dirigente a troca consta no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos em elaboração, e que será apresentado ao restante da diretoria da Codesp e ao Conselho de Autoridade Portuária (CAP) até o final deste ano.
Fabrízio diz que o estudo encontra-se em fase inicial e que ainda não possui números sobre o que significará a mudança, inclusive do investimento necessário. Porém, a análise continua e motivada por outros números.
Segundo a Codesp, o Porto de Santos tem o consumo médio de 14 mil kW/hora, que é também a geração média da Usina de Itatinga, em Bertioga, que abastece de energia elétrica o cais santista. Como chegou ao limite, a manutenção dos cinco geradores da usina é feita de madrugada, ou aos domingos à noite, quando o movimento portuário é menor. ‘‘Para crescer vamos precisar do dobro de energia do volume atual’’, adiantou, acrescentando que Itatinga chegou ao seu limite.
Barnabé-Bagres
O dirigente entende que não dá para pensar no projeto Barnabé-Bagres, de ampliação do Porto de Santos, sem incluir a questão energética. Ele afirmou, inclusive, que a estatal possui duas áreas que poderiam servir como plataformas de gás natural.
Uma fica na margem esquerda do porto, em Vicente de Carvalho, e a outra no Saboó. Neste último local a empresa Deicmar possui a infra-estrutura necessária para o atendimento da Bacia de Gás, o que inclui silos e área de armazenagem.
Apesar de não ter números sobre o custo da troca de matriz energética, Fabrízio defende o uso do gás não só pelo fato de ser menos poluente. Argumenta que para o gás da Bacia de Santos ter aplicabilidade é importante um grande consumidor, e entende que o porto pode desempenhar este papel.
‘‘Acredito que a partir do uso do gás pelo porto, o consumidor irá naturalmente incluir o gás na sua casa’’, declarou, completando que ‘‘a Bacia de Santos só vai ter valor econômico quando tiver uso econômico para o gás’’.
Fabrízio entende que a utilização de gás pelo porto deve implicar na construção de uma termelétrica, gerando empregos na região. Tuto isso também poderá fazer com que a Petrobras decida manter na Baixada Santista o escritório operacional. Atualmente isso é motivo de disputa com o Rio de Janeiro.
Para ele, a utilização efetiva do gás natural só será possível com a descoberta da demanda dessa utilização. ‘‘É justamente por este motivo que a Autoridade Portuária de Santos é pioneira nesta idéia para utilização do GNV. A Petrobras tem que sentir que existe a possibilidade de consumo na área’’, comenta.
Seminário
Para conhecer os planos oficiais, discutir a importância econômica de uma base na região e as oportunidades de negócios, serviços e empregos na Baixada Santista, será realizado o Seminário Gás na Economia 2004, nos dias 18, 19 e 20 deste mês, no Casa Grande Hotel, em Guarujá.
O evento é promovido pela Prefeitura de Guarujá, com o patrocínio da Petrobras, apoio da Codesp e apoio institucional de A Tribuna, Associação Comercial de Santos, Sindipetro, Unisanta, Abegs, Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Sopesp, Gás Brasil.
E mais o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), GasNet, Resan, Associação Comercial e Empresarial de Guarujá, Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) e a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA).
Fonte: A Tribuna-Santos